sexta-feira, 14 de março de 2008

A QIM-mania

A QI(M)-MANIA
Março 2008 /LP®
A visão cor-de-rosa (adaptado do An2)
O Quadro Interactivo Multimédia (QI + M de multimédia, embora o QI nada tenha de multimédia, isso está a cargo do computador) apresenta potencialidades que permitem alterar de forma significativa a natureza da informação trabalhada na aula (com recursos multimédia e de animação gráfica), os tempos e espaços de aprendizagem (com a disponibilização “on-line” de recursos) e as dinâmicas da sala de aula.
Os benefícios da introdução destas tecnologias nos contextos de aprendizagem têm sido amplamente estudados e documentados em diversos países. Estudos de investigação, realizados por universidades do Canadá, Estados Unidos e Reino Unido, com estudantes de diferentes áreas do conhecimento, níveis de ensino e em diferentes tarefas (analise de diagramas, textos, simulações, etc.) demonstram o maior envolvimento dos alunos, o aumento da motivação, a promoção da aprendizagem cooperativa (com o incremento das interacções entre pares) e o reforço do papel do professor com mediador dos processos de aprendizagem e, como consequência, os reflexos positivos na eficiência dos processos de ensino e de aprendizagem.
São assim bem-vindos os planos de apetrechamento das nossas salas de aula com este tipo de equipamentos previstos nomeadamente no Plano Tecnológico para a Educação (PTE).
Contudo, a disponibilidade da tecnologia é apenas a condição necessária (e porventura a mais fácil) não constituindo por si qualquer solução para mudar a Educação em Portugal. As reais “mais-valias” resultam fundamentalmente da interacção entre as pessoas e só a participação empenhada dos Professores como “arquitectos dos contextos de aprendizagem” poderá potenciar para a Educação os benefícios desta e de outras tecnologias.
Parece-nos portanto fundamental que, a par do apetrechamento, se criem condições para que os professores possam responder aos desafios colocados pelo PTE, potenciando os benefícios da tecnologia em reais mudanças de práticas que possam constituir mais valias significativas da qualidade e eficiência da Educação. A Formação Contínua de docentes é uma das condições essenciais para a concretização destas finalidades.
As acções de formação visam criar condições, ao nível das entidades formadoras, para o desenvolvimento de estratégias de formação contínua de docentes no âmbito da integração dos QIM nos contextos de aprendizagem em geral e nas didácticas específicas em particular.
A visão menos cor-de-rosa
(Visão pessoal)

A utilização de um Quadro Interactivo (QI) exige a existência obrigatória de um conjunto de equipamentos bastante caros. O QI só funciona em conjunto com um computador e um vídeo projector. Três equipamentos caros que têm de trabalhar em perfeita sintonia, sob pena de nada funcionar.

Da parte do docente ele terá de ter algum (bastante) domínio técnico para, não só, verificar ligações como resolver pequenos (grandes) problemas de configurações que sempre fazem "perder" alguns (largos) minutos de cada aula...

A sala de aula:
Na sala de aula temos de ter tudo devidamente "atarrachado" à parede, configurado e sem falhas (incluindo o acesso à rede LAN e á Internet) ou então temos uma aula “perdida” ou na melhor das hipóteses uma aula atribulada com afinações exasperantes...
Há ainda o velho problema da “sombra”: Se estou em frente ao quadro, tenho atrás de mim o videoprojector, ou seja, a minha sombra irá ser projectada no quadro, escondendo parte da informação que está a ser projectada. Faz lembrar os tempos dos acetatos em que podíamos fazer sombras chinesas com as mãos para animar a audiência.
Por outro lado numa turma com 28 alunos a área útil de um quadro interactivo (apesar de haver tamanhos maiores, os preços são exponencialmente maiores, também) é manifestamente pequeno para captar a atenção de toda a turma.

Custos de operação:
Aqui já sabemos que para além dos custos de aquisição de todo o hardware necessário (computador, vídeo-projector e Quadro Interactivo) temos sempre que contar com o desgaste de um consumível (bastante) caro, que é sempre esquecido: a lâmpada do videoprojector. Um lâmpada destas dura uma média de 2500 horas e custa para cima de 250 Euros. (isso é quase o preço de um computador!)
Conteúdos didácticos:
Agora chegamos ao que verdadeiramente interessa a todos nós, docentes: os conteúdos didácticos aplicados ao plano curricular. Aqui (infelizmente) detectamos diversos constrangimentos:

a) O mercado apresenta muitas marcas de QIs com software pouco compatível;

b) As tão apetecíveis animações, afinal são ficheiros flash que podemos correr em qualquer computador, não precisando de utilizar QI nenhum;

c) Se o professor quiser criar algum tipo de animação terá de aprender FLASH (ou outra coisa qualquer) que nada tem a ver com QIs;

d) A possibilidade do aluno interagir "indo ao quadro" é facilmente substituída por software do tipo NetOp (bem mais versátil e mais barato) que recria e expande muito bem toda essa interacção. É evidente que esta opção (de utilizar o NetOp) só funciona se estivermos numa sala equipa com computadores e em rede;


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